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Edição 01
Maio/2021

O aumento da Taxa Selic e o impacto nos meus investimentos

O Banco Central do Brasil (Bacen) iniciou neste ano um ciclo de aumento da taxa básica de juros da economia, medida pela Taxa Selic. Após um período inédito de juros extremamente baixos, a Taxa Selic (que iniciou 2021 em 2,00% a.a., sua mínima histórica) encontra-se no patamar de 3,50% a.a. – após duas subidas consecutivas de 0,75% pelo Bacen. O mercado financeiro estima que esta taxa encerre o ano em 5,50% a.a., conforme o Relatório de Mercado do Bacen (Focus), de 14/05/2021.

O aumento da Selic por parte do Bacen busca controlar a inflação (IPCA) que, ao final de abril/21 apresentou alta de 6,76% (no acumulado de 12 meses). Apesar da economia desaquecida, a consistente alta do preço das commodities (como por exemplo, minério de ferro, soja e petróleo) e o aumento do Dólar Americano em relação ao Real correspondem aos principais fatores que explicam a escalada dos preços.

A expectativa do mercado financeiro, observada no Focus, é que a inflação (IPCA) encerre o ano de 2021 com alta de 5,15%, acima do centro da meta de 3,75%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Apesar do desvio do centro, este aumento continua abaixo do limite superior de 5,25%, estabelecido pelo CMN.

Na formulação do cenário base pelo Comitê de Investimentos e Risco (CIR) para a Política de Investimentos 2021-2025 da Vexty (PI), foi considerado que a Selic encerraria este ano em 4,00% a.a. Portanto, apesar da diferença de projeção em relação aos números atuais estimados pelo mercado financeiro, principalmente devido à pressão inflacionária não contemplada na PI, o movimento de alta dos juros está presente no modelo de definição das carteiras dos Perfis de Investimento.

Mas, ao final, como isso afeta o desempenho dos investimentos da Vexty? Especialmente a carteira da Classe Renda Fixa Curto Prazo, que está presente em todos os perfis e, em maior proporção, no Perfil Curto Prazo?

De forma bem suscinta, o comportamento da taxa básica de juros afeta diretamente a rentabilidade dos títulos atrelados a este indicador. A não ser em situações atípicas de mercado, que precisam ser estudadas caso a caso, mas não é o foco aqui.

Como cerca de 60% dos ativos da Classe Renda Fixa Curto Prazo são compostos por títulos do Tesouro Nacional pós-fixados (Tesouro Selic), com alta liquidez e baixíssimo risco, a rentabilidade desta classe está bem correlacionada aos movimentos da taxa básica de juros.

Os outros 40% do total investido nesta carteira estão alocados em fundos que adquirem ativos de crédito privado, com portfólio diversificado e títulos com grau de investimento, sendo que a maioria destes títulos remunera o investidor com um prêmio acima do CDI* (Certificado de Depósito Interbancário).

Esse prêmio acima do CDI é o que o mercado chama de spread ou prêmio de risco pelo ativo (um indicador do risco inerente à empresa emissora da dívida), constituindo parte importante da remuneração da carteira. Para ilustrar, um título que remunera o investidor com 120% do CDI tem uma rentabilidade esperada de 4,20% a.a. (ou seja, 3,50%, considerando a taxa atual dos juros, mais 0,70% de spread).

A remuneração dos investimentos em títulos de crédito privado pode ser impactada por mudanças nos spreads dos títulos. Caso ocorra um aumento não previsto nos spreads dos títulos, haverá uma redução no valor de mercado desses títulos, gerando uma rentabilidade negativa pontualmente. O contrário também é verdadeiro.

Esse efeito é conhecido como “marcação a mercado”, que é o método de definição do preço do título pelo valor da sua negociação no mercado financeiro. O uso desse método é imposto pela regulação do setor na Resolução CMN 4.661 e reconhecido como a melhor prática contábil.

Temos observado esses efeitos no mercado de crédito local desde 2020, quando houve substancial aumento dos spreads de créditos dos títulos corporativos, contribuindo negativamente para o resultado desta classe de ativos neste período.

Apesar de termos observado alguns desses efeitos na carteira de investimentos do Plano Vexty, as alocações realizadas em fundos que possuem títulos de crédito permanecem seguros e com nível de risco monitorado continuamente.

Ponderados os riscos, o que observamos após esse estresse no mercado de crédito local e a consequente elevação das remunerações destes títulos, é o aparecimento de oportunidades interessantes de investimentos na Classe de Renda Fixa Curto Prazo. Essas oportunidades são discutidas e avaliadas continuamente pelo Comitê de Investimentos e Risco da Vexty (CIR).

Portanto, para concluir, caso não ocorram (i) mudanças bruscas e anômalas nos juros futuros, diferindo muito em relação às expectativas do mercado, e (ii) significativa alteração no cenário de spreads de riscos de crédito, esperamos não ter impactos relevantes na rentabilidade desta classe de ativos.

*O CDI é o custo médio que os bancos cobram para emprestar dinheiro no mercado interbancário, sendo que este indicador, em um ambiente normal de mercado, acompanha os movimentos da Taxa Selic.