Os oito primeiros meses de 2026 foram marcados por um ambiente de mercado dinâmico, no qual fatores domésticos e internacionais alternaram períodos de maior otimismo e momentos de cautela. Após uma abertura de ano bastante favorável para os ativos brasileiros, impulsionada pela expectativa de flexibilização monetária e pela forte entrada de recursos estrangeiros, os mercados passaram a conviver com maior volatilidade ao longo do segundo e terceiro trimestres, em razão das incertezas geopolíticas, da trajetória dos juros globais e do avanço do ciclo eleitoral brasileiro.
No cenário doméstico, a desaceleração gradual da atividade econômica e a evolução mais favorável da inflação permitiram o início do ciclo de redução da taxa Selic em março. Esse processo teve continuidade em agosto, quando o Copom reduziu a taxa básica para 14,00% ao ano. Ainda assim, o Banco Central manteve postura cautelosa diante das expectativas de inflação ainda acima da meta e das incertezas associadas ao cenário fiscal. Paralelamente, a proximidade das eleições de 2026 ampliou o monitoramento dos investidores sobre temas relacionados à sustentabilidade das contas públicas, à condução da política econômica e às possíveis agendas dos candidatos, fatores que seguiram influenciando a precificação dos ativos brasileiros.
No ambiente internacional, a trajetória da política monetária norte-americana permaneceu como um dos principais direcionadores dos mercados. Apesar da expectativa de flexibilização monetária ao longo do horizonte de investimentos, a economia dos Estados Unidos mostrou-se resiliente e a inflação permaneceu como um ponto de atenção, levando o Federal Reserve a adotar uma postura prudente. Ao mesmo tempo, os conflitos e tensões geopolíticas no Oriente Médio impactaram os preços das commodities, especialmente do petróleo, influenciando as expectativas para crescimento econômico e inflação em diversas regiões do mundo.
Ao longo do período, os ativos brasileiros apresentaram comportamento heterogêneo. A renda variável doméstica iniciou o ano com forte valorização e registrou novas máximas históricas, beneficiada pela perspectiva de queda dos juros e pelo fluxo de capital estrangeiro. Posteriormente, oscilações relacionadas ao cenário externo, às discussões fiscais e ao ambiente eleitoral provocaram movimentos de correção e aumentaram a volatilidade. Ainda assim, a recuperação observada nos meses mais recentes reforçou o interesse dos investidores por ativos brasileiros diante da combinação de taxas de juros elevadas e valuations atrativos.
Nesse contexto, a diversificação manteve-se como um dos principais pilares da construção dos portfólios. As estratégias ligadas à renda fixa continuaram apresentando resultados consistentes, beneficiadas pelo patamar ainda elevado dos juros domésticos. Os investimentos em títulos públicos indexados à inflação também desempenharam papel relevante, especialmente diante da redução dos prêmios de risco observada em determinados momentos do ano, contribuindo tanto para a preservação do poder de compra quanto para a geração de retornos adicionais em horizontes mais longos.
Os investimentos internacionais também demonstraram sua relevância na composição das carteiras. Dependendo do comportamento dos mercados globais e da variação cambial, essa exposição contribuiu para mitigar riscos e ampliar as fontes de retorno dos portfólios. A combinação entre ativos locais e globais permitiu reduzir a dependência de um único cenário econômico, reforçando os benefícios da diversificação geográfica em uma estratégia previdenciária de longo prazo.
Nos gráficos abaixo, é possível observar a rentabilidade líquida* registrada em 2026, até agosto, e nos últimos 12 meses pelos 10 Perfis de Investimentos oferecidos pela Vexty frente a alguns indicadores de mercado:

Consistência na Gestão dos Investimentos no Longo Prazo
O modelo de Perfis de Investimento com Data-Alvo adotado pela Vexty tem se mostrado resiliente e consistente com seu objetivo: preservar o patrimônio no Perfil Conservador e permitir expectativa de maior rentabilidade no longo prazo nos Perfis com Data-Alvo, respeitando os limites de riscos de cada Classe de Ativo, porém podendo apresentar maiores oscilações (volatilidade). No gráfico abaixo são apresentados os desempenhos dos Perfis Conservador e 2030 desde maio de 2014, quando esses Perfis foram criados, até fevereiro deste ano. Do Perfil 2035 em diante, seus lançamentos ocorreram em janeiro de 2020, sendo que os Perfis 2020 e 2025 foram extintos ao final dos seus respectivos anos da Data-Alvo.

O Perfil Conservador apresentou performance superior ao IPCA, IGP-M, Dólar e IFMM-A (índice do BTG que apura o retorno médio de fundos multimercado). Já o Perfil 2030 apresentou rentabilidade acima do IPCA, IGP-M, Dólar, IFMM-A e CDI, respondendo bem à diversificação das carteiras de investimentos.
Para mostrar também o desempenho histórico do Perfil 2025, que foi extinto ao final do ano passado, no gráfico abaixo apresentamos sua performance desde seu lançamento, em maio de 2014, até dezembro de 2025, bem como a valorização dos Perfis Conservador e 2030 nesse mesmo período.

Notem que o Perfil Conservador apresentou performance superior ao IPCA, IGP-M, Dólar e IFMM-A. Já os Perfis 2025 e 2030 apresentaram rentabilidades acima do IPCA, IGP-M, Dólar, IFMM-A e do CDI, respondendo bem à estratégia da Vexty de diversificação estruturada e gestão ativa em cada Classe, com foco em superar seus respectivos indicadores de referência. Destaque para o Perfil 2030, ficando próximo do desempenho do Ibovespa, mesmo com um nível de risco menor, devido, principalmente, à diversificação de suas alocações.
Ao observar, no gráfico abaixo, o comportamento dos Perfis desde janeiro de 2020, quando foram implementados os Perfis 2035 ao 2065, e o desempenho de alguns indicadores de mercado, destacam-se os resultados aquém do esperado do Bloomberg Global Abb USD (um dos índices que medem o desempenho da renda fixa no exterior), IMA-B 5+, IFMM-A (muito abaixo do desempenho do CDI no mesmo período) e do Ibovespa (também abaixo do CDI). Esses dois últimos refletem o cenário desafiador para os investimentos em ações no Brasil e para a indústria de fundos multimercado, principalmente impactados pela pandemia de Covid-19, que surgiu em 2020, pela Guerra Rússia-Ucrânia ao longo de 2022, pelas eleições presidenciais, também em 2022, no Brasil, dificuldade em estabelecer estratégias vencedoras dos gestores de multimercado, que levaram a resgates nesta indústria nos últimos dois anos, entre outros fatores. Nesse contexto, assim como observado nos últimos anos, o desempenho foi pior nos Perfis com maior exposição a ativos de maior risco.

Por outro lado, os Perfis mais curtos, que possuem carteiras de investimentos com menor exposição à Renda Variável e Investimento no Exterior, conseguiram desempenhar melhor no período, com destaque para o Perfil Conservador, que superou o IFMM-A e o IPCA, aproximando-se do CDI no período, já considerando a rentabilidade percebida pelo Participante e Assistido após dedução dos custos com gestão dos investimentos e da própria Entidade.
Interessante observar que, nesse período acumulado de pouco mais de seis anos, o principal índice do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, apresentou uma valorização de 53,4%, sendo que boa parte dessa alta ocorreu em 2025, quando o índice subiu 33,9%. Ao mesmo tempo, vimos o IPCA registrando uma alta de 43,9% e o nível de juros medido pelo CDI subindo mais de 88,9%. Importante destacar que rentabilidade histórica não é garantia de rendimento futuro. Não existe garantia ou compromisso assumido perante o Participante relativo à manutenção dessas performances, muito embora todos os esforços da Vexty estejam voltados para otimizar os rendimentos, respeitando a alocação-alvo de cada um dos Perfis e buscando sempre a melhor relação risco-retorno possível, considerando as condições de mercado.
Perspectivas para os próximos meses
O cenário para os próximos meses continuará sendo influenciado por fatores relevantes tanto no Brasil quanto no exterior. Entre os temas mais acompanhados pelo mercado estão a continuidade do ciclo de redução dos juros domésticos, os próximos passos da política monetária norte-americana, a evolução das tensões geopolíticas e o avanço do processo eleitoral brasileiro.
Embora a desaceleração da atividade econômica e a melhora gradual dos indicadores de inflação tenham aberto espaço para a continuidade do processo de flexibilização monetária, permanecem no radar dos investidores temas relacionados à trajetória fiscal do país, ao comportamento das expectativas inflacionárias e aos possíveis impactos das eleições de 2026 sobre o ambiente econômico dos próximos anos.
Nesse contexto, a Vexty já iniciou, no âmbito do Comitê de Investimentos e Riscos (CIR), as discussões relacionadas aos cenários econômico, político e financeiro para 2027. Essas análises contemplam diferentes hipóteses para inflação, juros, crescimento econômico, comportamento dos mercados locais e internacionais, bem como seus potenciais reflexos sobre as estratégias de investimento do Plano.
Os resultados dessas avaliações servirão de base para o processo de revisão da Política de Investimentos da Vexty para os próximos anos. Como ocorre tradicionalmente, esse documento será posteriormente disponibilizado aos Participantes e Assistidos, reforçando o compromisso da Entidade com a transparência, a governança e a comunicação das decisões relacionadas à gestão dos recursos previdenciários.
Independentemente do cenário que venha a prevalecer, permanece válida uma das principais lições observadas ao longo dos últimos anos: a diversificação entre diferentes classes de ativos, regiões geográficas e estratégias de investimento continua sendo um dos instrumentos mais importantes para enfrentar períodos de incerteza e buscar uma relação equilibrada entre risco e retorno. Por isso, a escolha do Perfil de Investimento deve estar alinhada principalmente aos objetivos pessoais, ao horizonte de tempo e à capacidade individual de lidar com oscilações de mercado, elementos fundamentais para a construção de uma estratégia previdenciária consistente e sustentável no longo prazo.
Indicadores:
– Bloomberg Gbl Agg é um indicador apurado pela Bloomberg, que mede o comportamento dos preços de títulos de dívida com grau de investimento em 24 moedas.
– CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa de juros de referência para operações financeiras (principalmente de curto prazo).
– Dólar. Variação do Real frente ao Dólar dos EUA.
– IBOV (Ibovespa) é o índice que mede o desempenho das ações de empresas com grande volume de negociação na B3, a Bolsa de Valores oficial do Brasil.
– IFMM-A é um índice apurado pelo banco BTG, que mede o comportamento dos Fundos de Investimentos de Multimercado no Brasil.
– IGP-M é o Índice Geral de Preços ao Mercado apurado pela FGV.
– IMA-B é um índice apurado pela Anbima, que reflete o desempenho dos Títulos Públicos atrelados ao IPCA, independentemente do prazo de vencimento.
– IMA-B 5+ é um índice apurado pela Anbima, que reflete o desempenho dos Títulos Públicos atrelados ao IPCA, com prazo de vencimento superior a 5 anos.
– IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo apurado pelo IBGE.
– S&P 500 é um dos principais índices do mercado de ações dos EUA.
Autonomia e segurança para a valorização do seu patrimônio. Vexty. Com certeza.
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