Durante o processo de revisão da Política de Investimentos do Plano Vexty, projetamos um cenário para 2025 com o objetivo de orientar eventuais ajustes nos portfólios. Naquele momento, destacávamos a expectativa de continuidade do crescimento da atividade econômica brasileira, ainda que em ritmo mais moderado em relação a 2024. Essa projeção se confirmou passados pouco mais de nove meses no ano: segundo o Relatório Focus do Banco Central de 19/09/2025, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2,2% em 2025, ante 3,4% em 2024, refletindo uma desaceleração compatível com o ciclo econômico e os desafios estruturais do País.
A manutenção da pressão inflacionária era outro ponto de atenção. As estimativas indicavam um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima da meta central de 3% estabelecida pelo Banco Central, o que implicaria em uma política monetária mais restritiva. Essa preocupação também se concretizou: o mercado projeta que o IPCA encerrará o ano em 4,83%, próximo ao teto da banda de tolerância (4,5%). Como consequência, a taxa básica de juros (Selic) permanece elevada, atualmente em 15% a.a., com expectativa de manutenção desse patamar até o final do ano.
No campo fiscal, a sustentabilidade das contas públicas e o elevado nível de endividamento continuam sendo fatores críticos. A capacidade do governo de conter despesas e implementar reformas estruturantes é vista como determinante para a confiança dos investidores e a estabilidade macroeconômica. Esse risco se intensificou com mudanças na liderança de áreas estratégicas do Governo Lula, que geraram apreensão nos agentes econômicos quanto à priorização de medidas de cunho popular em detrimento de uma agenda fiscal responsável e de longo prazo.
No cenário internacional, especialmente nos Estados Unidos, projetava-se uma inflação persistente e taxas de juros acima do nível neutro, sem perspectiva de cortes significativos no curto prazo. O fortalecimento do dólar americano continuaria a pressionar as economias emergentes, incluindo o Brasil, com impactos sobre o comércio internacional e os fluxos de capitais.
Adicionalmente, a incerteza geopolítica aumentou com a retomada de políticas protecionistas pelo presidente Donald Trump, incluindo medidas tarifárias que afetariam diretamente as relações comerciais com o Brasil a partir de agosto. No entanto, até meados do ano, observou-se uma desvalorização da moeda norte-americana frente ao Real e uma redução nas tensões comerciais, com o foco dos investidores migrando para os indicadores econômicos norte-americanos. Esse movimento elevou a probabilidade de afrouxamento monetário nos EUA, fato que acabou se iniciando em setembro deste ano, o que pode abrir espaço para uma flexibilização da política monetária brasileira, desde que a inflação doméstica se mantenha sob controle.
Nesse ambiente, o Ibovespa tem batido recordes históricos ao longo de 2025 ao superar os 146 mil pontos em setembro, por uma combinação de fatores internos e externos que criaram um ambiente altamente favorável para o mercado de ações brasileiro. A entrada expressiva de capital estrangeiro, impulsionada pela busca global por ativos em mercados emergentes com valuations atrativos; a expectativa de afrouxamento monetário no Brasil, com a Selic em trajetória de estabilidade ou queda; os resultados robustos das empresas listadas, especialmente nos setores de commodities, financeiro e energia; a valorização de setores específicos como imobiliário e utilidade pública, que se beneficiam diretamente do cenário de juros; o alívio nas tensões comerciais globais, que reduziu riscos e fortaleceu o apetite por risco; e, por fim, uma perspectiva política que, apesar de instabilidades, tem sido interpretada pelo mercado como potencialmente favorável à retomada de uma agenda econômica mais liberal e reformista em 2026. Esses elementos, em conjunto, criaram um ambiente de confiança e atratividade para o investidor, sustentando a valorização contínua do índice.
Um dos pilares da estratégia de investimentos adotada pela Vexty é a diversificação planejada das carteiras, especialmente relevante em cenários de elevada volatilidade e incerteza. Em 2024, essa abordagem foi amplamente validada, com os investimentos globais contribuindo positivamente para os resultados dos Perfis, impulsionados pela forte valorização do mercado acionário norte-americano — refletida no desempenho do S&P 500 — e pela apreciação do Dólar frente ao Real, que chegou a quase 28% no ano em contraponto a queda do Ibovespa de mais de 10%. No entanto, em 2025, apesar da continuidade do bom desempenho dos ativos de risco nos Estados Unidos e da performance positiva dos títulos de renda fixa, a desvalorização do Dólar frente ao Real reverteu parte dos ganhos obtidos no exterior, levando os resultados das alocações internacionais para o campo negativo neste ano. Isso demonstra a importância da diversificação planejada tendo em vista o cenário previsto, especialmente em momentos de bastante incerteza e turbulência no mercado!
No gráfico abaixo, é possível observar a rentabilidade líquida* registrada em 2025 até agosto pelos 11 Perfis de Investimentos oferecidos pela Vexty frente a alguns indicadores de mercado:

Consistência na Gestão dos Investimentos no Longo Prazo
O modelo de Perfis de Investimento com Data-Alvo adotado pela Vexty tem se mostrado resiliente e consistente com seu objetivo: preservar o patrimônio no Perfil Conservador e permitir expectativa de maior rentabilidade no longo prazo nos Perfis com Data-alvo, respeitando os limites de riscos de cada Classe de Ativo, porém podendo apresentar maiores oscilações (volatilidade).
No gráfico abaixo são apresentados os desempenhos dos Perfis Conservador, 2025 e 2030 desde maio de 2014, quando esses Perfis foram criados. Os Perfis 2035 em diante foram estabelecidos apenas em janeiro de 2020.

O Perfil Conservador apresentou performance superior ao IPCA e ao IFMM-A (índice do BTG que apura o retorno médio de fundos multimercado) e ligeiramente abaixo do CDI acumulado no período. Os outros dois Perfis apresentaram rentabilidade acima do IPCA, do Ibovespa da B3 (principal índice do mercado acionário brasileiro), IFMM-A e do CDI, respondendo bem às posições nas demais Classes de Ativos e à estratégia da Vexty de diversificação estruturada e gestão ativa em cada Classe, com foco em superar seus respectivos indicadores de referência. Destaque para o Perfil 2030, superando de forma relevante o Ibovespa, mesmo com um nível de risco menor, devido, principalmente, à diversificação de suas alocações.

Ao observar o comportamento dos Perfis desde janeiro de 2020, quando foram implementados os Perfis 2035 em diante, e o desempenho de alguns indicadores de mercado, destacam-se os resultados aquém do esperado de determinados segmentos de investimentos refletidos no IMA-B 5+, IFMM-A (muito abaixo do desempenho do CDI no mesmo período) e do Ibovespa. Esses dois últimos refletem o cenário desafiador para os investimentos em ações no Brasil e para a indústria de fundos multimercado, principalmente impactados pela Pandemia de Covid-19, que surgiu em 2020, pela Guerra Rússia-Ucrânia ao longo de 2022, pelas eleições presidenciais também em 2022 no Brasil, dificuldade em estabelecer estratégias vencedoras dos gestores de multimercado, que levaram a resgastes nesta indústria nos últimos dois anos, entre outros fatores. Nesse contexto, assim como observado nos últimos anos, o desempenho foi pior nos Perfis com maior exposição a ativos de maior risco.
Por outro lado, os Perfis mais curtos, que possuem carteiras de investimentos com menor exposição à renda variável e investimento no exterior, conseguiram desempenhar melhor no período, com destaque para os Perfis Conservador, 2025 e 2030, que superaram o IFMM-A e o IPCA, com o Perfil Conservador aproximando-se do CDI no período, já considerando a rentabilidade percebida pelo Participante e Assistido após dedução dos custos com gestão dos investimentos e da própria Entidade.
Interessante observar que, nesse período acumulado de pouco mais de cinco anos, o principal índice do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, acumula alta de 22,3% (valorização basicamente realizada neste ano). Ao mesmo tempo, vimos o IPCA registrando uma alta de 37,5% e o nível de juros pedido pelo CDI subindo mais de 64%.
Importante destacar que rentabilidade histórica não é garantia de rendimento futuro. Não existe garantia ou compromisso assumido perante o Participante relativo à manutenção dessas performances, muito embora todos os esforços da Vexty estejam voltados para otimizar os rendimentos, respeitando a alocação alvo de cada um dos Perfis e buscando sempre a melhor relação risco-retorno possível, considerando as condições de mercado.
Perspectivas para 2026
Com base nos conceitos apresentados na matéria “Entenda a importância e os objetivos da Política de Investimentos do Plano Vexty”, as projeções e definições relacionadas ao cenário econômico para o ano de 2026 ainda estão em fase de análise no âmbito da governança de investimentos da Vexty. Esse processo é essencial para embasar eventuais revisões nas estratégias de alocação dos recursos dos Perfis de Investimentos, constituindo um dos principais pilares para a tomada de decisão nesse contexto.
Feita essa ressalva inicial, é possível compartilhar algumas observações com base no que vem sendo discutido no mercado financeiro. De modo geral, o cenário projetado para 2026 não difere substancialmente daquele previsto ao final de 2024 para o ano de 2025. A expectativa é de continuidade do crescimento da atividade econômica brasileira, embora em ritmo mais moderado — 1,80% para 2026 contra 2,16% em 2025, segundo o Relatório Focus do Banco Central de 19/09/2025.
A inflação segue como um ponto de atenção. As projeções indicam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve permanecer próximo ao teto da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional, com o centro da meta em 3%. Para 2026, o Focus aponta IPCA de 4,29%. Esse cenário contribui para a manutenção da taxa básica de juros (SELIC) em patamar elevado — atualmente em 15% a.a. — com expectativa de início de um ciclo de redução apenas a partir do segundo semestre de 2026, podendo atingir 12,25% a.a. até o final do ano.
O contexto fiscal brasileiro continua desafiador. A trajetória das contas públicas e o elevado nível de endividamento seguem como fatores críticos para a confiança dos investidores. A capacidade do governo de controlar despesas e implementar reformas estruturantes será determinante para a estabilidade econômica e para a atratividade do país frente ao capital estrangeiro.
Ainda no âmbito doméstico, o cenário político começa a ganhar contornos mais nítidos com a aproximação das eleições presidenciais de 2026. Embora o pleito ainda esteja relativamente distante, as discussões sobre possíveis candidaturas e seus reflexos na economia já estão em andamento. A leitura que temos visto é de que a fragmentação das forças de oposição e a ausência de uma liderança consensual dificultam a consolidação de uma alternativa competitiva ao atual governo. Nesse contexto, o desempenho da economia e a condução das políticas fiscal e monetária serão elementos cruciais para determinar o fortalecimento ou desgaste da candidatura de Lula à reeleição. Temos observado também que a disputa eleitoral de 2026 tende a ser marcada por um embate entre rejeições, no qual o eleitor buscará aquele candidato que represente o menor risco à estabilidade institucional e ao progresso econômico do país. Propostas econômicas objetivas, exequíveis e com forte apelo popular — como medidas de alívio tributário ou estímulo ao consumo — podem ganhar destaque e exercer influência significativa sobre o desfecho da eleição.
No cenário internacional, os Estados Unidos enfrentam inflação ainda elevada e sinais de fragilidade no mercado de trabalho. Após manter os juros em 4,5% a.a. desde o final de 2024, o Federal Reserve iniciou cortes, reduzindo a taxa para 4,25% a.a. em setembro de 2025, com expectativa de novas reduções até o fim do ano. As políticas protecionistas e imprevisíveis do presidente Donald Trump, incluindo tarifas e sanções comerciais, aumentam a volatilidade global e podem impactar diretamente o Brasil, especialmente em setores exportadores.
Indicadores:
– Bloomberg Gbl Agg é um indicador apurado pela Bloomberg, que mede o comportamento dos preços de títulos de dívida com grau de investimento em 24 moedas.
– CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa de juros de referência para operações financeiras (principalmente de curto prazo).
– Dólar. Variação do Real frente ao Dólar dos EUA.
– IBOV (Ibovespa) é o índice que mede o desempenho das ações de empresas com grande volume de negociação na B3, a Bolsa de Valores oficial do Brasil.
– IFMM-A é um índice apurado pelo banco BTG, que mede o comportamento dos Fundos de Investimentos de Multimercado no Brasil.
– IGP-M é o Índice Geral de Preços ao Mercado apurado pela FGV.
– IMA-B é um índice apurado pela Anbima, que reflete o desempenho dos Títulos Públicos atrelados ao IPCA, independentemente do prazo de vencimento.
– IMA-B 5+ é um índice apurado pela Anbima, que reflete o desempenho dos Títulos Públicos atrelados ao IPCA, com prazo de vencimento superior a 5 anos.
– IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo apurado pelo IBGE.
– S&P 500 é um dos principais índices do mercado de ações dos EUA.
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